O Governo de Rondônia retirou da Assembleia Legislativa a Proposta nº 11/2026, que previa a regulamentação e o funcionamento da Loteria Estadual, após forte reação pública e institucional do Deputado Estadual Camargo. A proposta, que abriria caminho para os jogos de azar no estado, foi alvo de fortes críticas do parlamentar, que classificou a iniciativa como "bizarra" e prometeu um confronto completo com o assunto.
Assim que soube da mensagem enviada à Assembleia Legislativa de Rondônia, Camargo imediatamente se posicionou de forma contrária, utilizando suas redes sociais para alertar o público sobre os riscos da legalização dos jogos de azar. Em uma de suas declarações, o deputado afirmou: "Lutarei até o fim contra esse mal", reforçando que a proposta não servia ao interesse público.
Em outra declaração pública, o congressista foi ainda mais incisivo ao criticar a lógica por trás da iniciativa. "Para eles, vale tudo por dinheiro, inclusive o infortúnio alheio", escreveu Camargo, apontando que a exploração do jogo transfere os custos sociais do vício para a sociedade, enquanto concentra os ganhos financeiros nas mãos de poucos beneficiários.
Além da mobilização pública, o Deputado Camargo adotou medidas formais na esfera legislativa. Ele apresentou a Petição nº 2622/2026, exigindo esclarecimentos do Governo do Estado sobre os impactos econômicos e sociais da proposta, os mecanismos de controle planejados e as consequências para as famílias vulneráveis. A pressão política e social resultou, poucos dias depois, na retirada oficial da proposta.
Os impactos sociais do vício em jogos de azar preocupam os especialistas.

O debate levantado pelo congressista encontra respaldo em estudos e experiências já observadas em outros estados e países. O crescimento do jogo está associado ao aumento de casos de dependência, endividamento familiar e agravamento de problemas de saúde mental. Há registros de pessoas que perderam suas economias, comprometeram sua renda básica e enfrentaram rupturas familiares devido ao vício em jogos de azar, especialmente no ambiente digital, onde o acesso é rápido e contínuo.
Organizações que atuam na área social alertam que o vício em jogos de azar afeta não apenas o jogador, mas toda a família, gerando ciclos de dívidas, conflitos domésticos e queda de produtividade. Em diversos casos documentados no país, trabalhadores relataram perda de emprego e jovens abandonaram os estudos após se envolverem com jogos de azar online.

Ação parlamentar e recuo do governo
Segundo o deputado Camargo, a retirada da Mensagem nº 11/2026 representa uma vitória para a sociedade e para o papel fiscalizador do seu mandato. O deputado argumenta que o Estado deve priorizar políticas públicas de proteção social, geração de empregos e fortalecimento das famílias, e não iniciativas que, segundo ele, "exploram a vulnerabilidade humana em troca de receita".
A retirada da mensagem encerra, pelo menos por ora, a tentativa de regulamentar os jogos de azar em Rondônia, mas o legislador afirma que permanecerá vigilante para impedir que iniciativas semelhantes avancem sem amplo debate e transparência.
TEXTO: WELIK SOARES