Em um vídeo publicado em suas redes sociais, Camargo descreveu a situação como um "campo de concentração para idosos" e uma "falta de humanidade", ressaltando que o que viu não foi um caso isolado, mas uma série de problemas recorrentes e visíveis que vêm se acumulando há algum tempo sem solução.
Quartos com mofo, iluminação precária e camas sem itens básicos.
Nos dormitórios, Camargo relatou camas inadequadas para os idosos, muitas delas velhas e enferrujadas. Profissionais relataram que precisam levantar idosos manualmente, já que a estrutura não atende às limitações físicas dos que ali residem. O deputado também apontou lençóis deteriorados e um padrão precário de acomodação.
Outro problema destacado foi a presença excessiva de mofo, que pode agravar problemas respiratórios em idosos vulneráveis. A falta de iluminação também foi constatada, com diversas lâmpadas queimadas, deixando os quartos escuros e inseguros.
Calor extremo e falta de ventilação.
A inspeção também revelou a ausência de ar-condicionado e ventilação natural. Camargo relatou ar-condicionado insuficiente e a falta de janelas capazes de garantir a circulação de ar. Um idoso descreveu a situação diretamente: "Estamos presos no calor aqui".
Segundo o deputado, esse fator agrava o risco, já que os idosos são mais suscetíveis à desidratação, desconforto e agravamento de doenças quando submetidos a ambientes fechados e quentes por longos períodos.
Superlotação e equipe sobrecarregada.
Camargo relatou superlotação nas instalações internas e afirmou que a concentração de idosos compromete a dignidade do cuidado e aumenta a probabilidade de falhas no serviço. Os profissionais entrevistados falaram de sobrecarga de trabalho, horários exaustivos e falta de pessoal suficiente.
O representante salientou que existe um concurso público realizado pela SEAS e que o Governo ainda não convocou os aprovados, o que poderia reforçar a equipa e reduzir a pressão sobre os profissionais que já trabalham na unidade.
Banheiros improvisados, sem acessibilidade, e chuveiros com água fria.
Nos banheiros, Camargo relatou a falta de acessibilidade e estruturas improvisadas. Segundo o congressista, os banhos são tomados com água fria, sem aquecimento, e soluções improvisadas são usadas para compensar a falta de equipamentos adequados. Um exemplo citado foi o uso de uma cadeira de banho amarrada com uma luva, um dispositivo normalmente usado por enfermeiros.
O legislador descreveu a situação como indigna e perigosa, principalmente considerando a mobilidade reduzida e a vulnerabilidade das pessoas atendidas.
Alimentos misturados com produtos e equipamentos de limpeza.
Na área de alimentação, Camargo denunciou a falta de estrutura e organização, relatando que os alimentos eram armazenados no mesmo ambiente que materiais de limpeza e cadeiras de rodas. O congressista questionou se a Vigilância Sanitária tinha conhecimento da situação e exigiu providências.
Profissionais relatam perseguição, violações de direitos trabalhistas e um ambiente de trabalho degradante.
Durante a visita, Camargo conversou com profissionais que relataram sobrecarga de trabalho, alegações de assédio e problemas relacionados ao pagamento de direitos trabalhistas, incluindo o salário mínimo. Segundo relatos, a pressão e o ambiente de trabalho precário estavam levando a pedidos de demissão e causando impactos psicológicos nos funcionários.

A área de descanso dos funcionários também foi alvo de críticas. Camargo disse ter ouvido descrições do local como "cativeiro", referindo-se à falta de espaço e de condições básicas, inclusive para guardar pertences.
Foram feitas reivindicações ao Governo e anunciada uma emenda.
Camargo afirmou que não se limitaria a fazer uma reclamação. Ele anunciou que apresentaria uma emenda parlamentar de sua autoria para melhorias na unidade, argumentando que o Estado havia falhado na manutenção e nos cuidados básicos.

Por fim, o deputado confrontou diretamente o governador Marcos Rocha e a secretária Luana Rocha, questionando se eles já haviam visitado o Lar de Idosos e exigindo uma resposta imediata.
"Governador Marcos Rocha, secretária Luana Rocha da SEAS, vocês já visitaram este lugar. Vejam a falta de humanidade demonstrada a essas pessoas."
O que a inspeção revelou
Segundo o congressista, a inspeção revelou superlotação, banheiros inacessíveis, estruturas improvisadas, chuveiros frios, camas inadequadas e enferrujadas, lençóis deteriorados, calor extremo devido à falta de ar condicionado e ventilação, excesso de mofo, iluminação precária, fiação elétrica exposta, desorganização na área de alimentação e profissionais trabalhando no limite de suas capacidades devido à falta de pessoal e à desvalorização de seu trabalho.O lar de idosos deveria ser um lugar de refúgio e cuidado. O que a inspeção realizada pelo Delegado Camargo revelou foi um cenário de negligência, com impacto direto nos idosos residentes e na equipe. Agora, a resposta do Governo e da SEAS (Secretaria de Estado de Assistência Social) precisa ser concreta, urgente e implementada na própria instituição onde o problema está ocorrendo.
TEXTO: WELIK SOARES